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sábado, 12 de julho de 2014

La belle et la bête



Assisti a um filme francês novo, agora de 2014, sobre o clássico conto de fadas a Bella e a Fera. Já estava animada desde o começo, porque as críticas sobre o filme eram muito positivas. Por fim vi, avaliei e cheguei a conclusão de que essa foi a melhor adaptação do conto que já conheci.  

Belle...

A história se passa no ano de 1810. Um famoso comerciante acaba perdendo toda a sua fortuna numa tempestade; os navios que carregavam seus pertences naufraga e então uma família que estava acostumada ao luxo tem que se adaptar a uma vida mais humilde. O comerciante tem três filhos e três filhas e todos parecem não aceitar bem a situação nem o fato de terem que se mudar para o meio rural, exceto a mais nova e mais amada pelo pai, Belle. O pai retorna à cidade mais tarde tentando recuperar sua fortuna, mas tem suas tentativas frustradas e é quase morto por causa de algumas dívidas do filho mais velho, Maxime. Na volta para casa, sozinho e no inverno rigoroso, ele acaba se perdendo na floresta. Depois de um acidente seu cavalo se fere e ele acaba caindo de uma espécie de ribanceira, levando-o a um lugar completamente fantástico e gigantesco. Trata-se de um castelo aparentemente abandonado, mas mágico: fornece ao homem comida, bebida e todos os presentes na lista que ele havia feito para levar para seus filhos enquanto estivesse na cidade. Mas antes de sair o senhor acaba roubando uma rosa vermelha para dar de presente para sua querida Belle, e é então que a fera surge.

A Fera... Simplesmente adorei a aparência dele!

O filme é um dos mais fiéis à história antiga e versão original, que foi tanto modificada com o passar dos anos. Algumas coisas são muito adaptadas e inovadoras, como a mágica do castelo e o motivo da maldição sobre a fera. O filme mistura elementos tradicionais e novos de forma muito inteligente, proporcionando uma experiência completamente nova em relação a essa história tão conhecida e amada.
A belíssima aparência do castelo

Alguns outros aspectos também são interessantes, como a aparência dos personagens principais (Bella loira e Fera quando humano de barba e mais velho), a mitologia envolvida (ninfas, deuses da natureza), o estilo do castelo e seus arredores. O ponto alto do filme acredito ser as criaturinhas mágicas que habitam o castelo, cachorrinhos com olhos brilhantes e orelhas que se arrastam no chão. Bella também tem uma postura que merece destaque, mais decidida e corajosa que as outras adaptações e até um pouco abusada. O único ponto negativo é o romance principal não muito bem desenvolvido, dando a impressão de que simplesmente brotou do nada. Provavelmente pela duração do filme (onde tudo tem que ser muito corrido, ou fica cansativo) ou porque existem versões antigas em que a Belle recusa a Fera até o último segundo, revelando que o ama no momento decisivo.Vai saber!


 Sobre a obra original 
A Bela e a Fera (La belle et la bête) foi originado na França e escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot em 1740. A história é sobre um mercador que tinha três filhas; duas delas esnobes, interessadas em dinheiro e riquezas, e a outra completamente diferente, Belle, que era muito gentil e humilde. Depois de um acidente, o mercador perde toda sua fortuna com a exceção de uma casa no campo, para onde a família tem que se mudar. As irmãs mais velhas não se conformavam com a situação e constantemente descontavam tudo em Belle, que aceitava os maus tratos e ajudava bastante a família. Um dia o mercador vai à cidade com a esperança de encontrar bons negócios e promete levar presentes às filhas; as mais velhas pedem vestidos e joias, enquanto Belle pede apenas uma rosa. Surpreendido por uma tempestade ele se abriga num castelo que encontra no meio da floresta, que por sinal é mágico e lhe fornece comida, abrigo e todos os presentes. Mas antes de ir embora ele avista uma roseira e decide pegar uma para Belle. O restante da história segue os moldes da tão conhecida, com a exceção de que quando vai visitar a família, as irmãs de Belle ficam com inveja e armam para que ela não retorne ao castelo, desejando que a Fera fique furiosa e a devore. Quando Belle tem um sonho com a Fera morrendo, decide voltar e a encontra num estado péssimo, pois deixou de comer acreditando que ela nunca mais voltaria.

 Uma das pinturas mais conhecidas desse clássico...

Há outra versão, que muitos dizem ser a verdadeira de A Bela e a Fera, escrita por Andrew Lang, que não é a original porque foi escrita em 1889 (enquanto a primeira versão é de 1740); o enredo é praticamente o mesmo do descrito acima, com a exceção de que todas as noites a Fera pedia Bella em casamento e ela sempre o recusava. Nesse aspecto, o filme de 2014 se parece bastante. 

A pintura sobre a Bela e a Fera que mais me agrada... Perturbadora e fascinante!

De qualquer forma, é difícil falar sobre a primeira versão de qualquer conto de fadas porque eles foram passados de boca em boca por muitas gerações e modificados de acordo com o local, a época e outros fatores, havendo inúmeras versões e adaptações e alguns contos que antecedem e talvez até sirvam de inspiração. A Fera já foi cobra, urso, lobisomem e todo o tipo de bizarrice. Mas a essência continua a mesma! 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Chouchou e Never the Strangers



O que há de comum entre essas bandas? À primeira vista, nada. Com estilos completamente diferentes, sendo uma originária do Japão e outra das Filipinas, não haveria por que colocá-las juntas numa única postagem sem motivo algum. 
Mas elas têm mais em comum do que inicialmente aparentam. Ambas foram encontradas por mim por mais mero acaso, ambas são bem pouco conhecidas (por aqui, eu diria que nada) e ambas pareceram se esconder de mim quanto mais eu procurava. Tente pesquisar um desses nomes e veja que os resultados (principalmente os satisfatórios) são pouquíssimos. Por isso foi com grande dificuldade que encontrei poucas e básicas informações sobre cada uma, mas já tinha encontrado o que me interessava: as canções. 
Há outra semelhança entre as duas, que é a doçura das músicas (tanto na melodia, quanto na letra). Chouchou, como dito anteriormente, é uma banda japonesa formada no mundo virtual (SecondLife) e buscam novas possibilidades de música. É bastante compreensível, já que eles inovam na sonoridade e nos vocais. Algumas canções são tão estranhas a nossos ouvidos que nos dão uma experiência completamente nova. Para aqueles que gostam de música e gostam principalmente de senti-la, é realmente incrível sentir tantas coisas diferentes e novas ao ouvir o som deles. E algumas músicas são tão lindas que nos emocionam. 
Never the Strangers (que meio que é o contrário do nome do meu blog) foi formada em 2006 e vem das Filipinas. O grupo era incialmente conhecido como Leonecast, mas depois de uma série de mudanças nos membros da banda, acabaram decidindo mudar o nome e adotar o atual. O nome da banda significa um novo começo para a banda e para o cenário musical local. E ainda encontrei a seguinte frase, que me deixou bastante impressionada: "ninguém é nem nunca será estranho ao outro na música". Por fim, as canções deles são bastante românticas e bonitas. Também arrancam lágrimas dos olhos!
Espero que quem curta coisas novas e principalmente músicas românticas e sensíveis, tenham interesse em procurar mais sobre as bandas e gostem tanto quanto eu! 


Chouchou

 
 

Never the strangers


 

E agora minhas preferidas (e as mais conhecidas dos dois grupos):



sábado, 5 de julho de 2014

200 Pounds Beauty


200 pounds Beauty é um dorama tão curtinho que eu prefiro chamar de um filme um pouco maior que o de costume. Novamente agradeço ao site Dopeka, por conter os mais diversos doramas, todos legendados em português e em sua maioria completos, e permitir que eu me delicie com histórias tão bacanas de uma cultura que é muito diferente da minha, mas em alguns aspectos muito semelhante. 

 
 Essa calça provavelmente caberia umas três dela...
A história é de Han-Na, uma menina acima do peso e que sofre constantemente por sua aparência. É motivo de piada e riso aonde quer que vá, principalmente por ser tão desastrada e se meter em muitas confusões. Ela trabalha numa espécie de disk sexo (mas não é pra tanto) onde conversa com homens e utiliza sua bela voz. Faz muito sucesso, principalmente porque seu rosto não é visto e ela não é julgada por ser gordinha. Ela possui um grande sonho: ser uma cantora de sucesso. Tem talento e uma voz incrível, mas num mundo musical cada vez mais comercial, sua aparência é novamente um empecilho. Por isso ela trabalha como uma "cantora sem rosto"; ela canta, mas quem recebe o crédito pela voz é uma cantora popular e linda chamada Amy. É Han-Na que grava as músicas, fica por detrás do palco cantando, e tudo o que Amy precisa fazer é dublar e fingir.
Duas pessoas, uma Han-Na

Para piorar a situação de Han-Na, ela é apaixonada por Sang-Joon, que é o produtor musical de Amy. Certamente é um amor não correspondido, já que ela não tem coragem de se declarar e nem nunca seria aceita por ele. Numa festa de comemoração do aniversário de Sang-Joon Han-Na recebe um vestido vermelho de presente que ela acredita ter sido dado por ele. Quando chega na festa, percebe que Amy está usando exatamente o mesmo vestido. A humilhação é grande e por isso ela decide jogar tudo para o alto! Ela desaparece por algum tempo e volta completamente diferente, linda, magra e determinada a conquistar tudo o que sempre quis.
Você tem alguma ideia de como é não ser capaz de confessar o seu amor?
Eu simplesmente adoro essas histórias em que acontecem mudanças drásticas na vida da protagonista (seja emagrecer, ficar mais bonita, mudar de postura) porque elas exigem muito esforço e dão uma libertação espiritual sem tamanho. Quando uma pessoa realmente quer mudar, ela consegue. E não se trata apenas de provar para todo mundo (porque se estamos bem com nós mesmos não precisamos provar nada para ninguém), nem se trata de ser fútil e superficial. Essa mudança pode acontecer tanto para se encaixar nos padrões da sociedade, quanto para rejeitá-los de vez. E pode ser uma mudança interna também. O que eu acredito é que é bom ver quando as pessoas vão atrás do que querem e não ficam estagnadas esperando tudo cair do céu. O mundo é feito de mudanças constantes e é esse movimento que dá à vida sentido. E quando o protagonista é tão carismático como Han-Na, nós torcemos para que ele consiga sempre o melhor, mudando ou não.
É um crime ser feia?
É impossível falar de 200 Pounds Beauty sem cair nos tabus. O mais forte é a questão da aparência e muitas pessoas julgariam fútil a mudança da protagonista, uma vez que o que importava de verdade era sua personalidade e talento. Mas não acredito que ela tenha mudado para agradar aos outros, mas sim a si mesma. Mesmo que as pessoas digam que aparência não importa, essa é uma grande mentira. Em todos os lugares que vamos somos julgados pela aparência, porque essa é a única maneira de sermos analisados caso não tenhamos a oportunidade de mostrar outras qualidades, como caráter, sinceridade, intelectual. Eu definitivamente não concordo que uma pessoa seja julgada única e exclusivamente pela aparência, mas na maior parte do tempo é isso que acontece. Estamos numa sociedade comercial, capitalista e de valores invertidos, um mundinho perfeito que exige que as pessoas se encaixem, ou serão massacradas. 

Querer ser bonita não é uma coisa ruim.
O mais cruel ainda é o mundo em que Han-Na quer entrar, o mundo artístico e musical, onde a aparência pesa tanto. Em outros estilos talvez a "estranhice" ou "feiura" (como é chamado pelas pessoas inseridas nessa sociedade) fosse até mesmo um atrativo, como o rock por exemplo. Mas no pop tudo é diferente. Os artistas pop sofrem por constante pressão sobre seu comportamento, sua aparência e tudo que não envolva a música propriamente dita. Tudo é sobre seguir tendências e se adaptar. Você até pode se distanciar das fórmulas já dadas, mas sempre sofrerá com duras críticas (sem fundamentos, em sua maioria) e não alcançará muita popularidade.
 Eu não sirvo para o amor ou dietas
Mas voltando ao assunto principal e que eu queria tanto abordar, é que a mudança é sim necessária se você não está bem consigo mesmo. A pior coisa do mundo é olhar no espelho e não gostar do que vê. Não é por pressão da sociedade, mas uma questão de agradar a si mesmo. Uma pessoa que não tenta ao máximo se transformar na pessoa que um dia quer ser, provavelmente assume uma postura derrotista de que nunca irá conseguir. Não interessa se o sonho é ser uma cantora, uma atriz, uma advogada, uma pessoa magra, uma pessoa cheia de tatuagens... Não interessa se o que você almeja é algo físico ou psicológico. É preciso correr atrás e mudar, mesmo que não agrade os outros à sua volta. A única pessoa que precisamos agradar acima de tudo somos nós mesmos. 
Você quebrou meu coração. Tecido não vai consertar isso.

Retornando ao dorama, é simplesmente trágica a maneira com que Han-Na é tratada. E mais trágico ainda é ver que depois de ficar tão linda, ela parecia conseguir qualquer coisa que quisesse. Ainda assim, a aparência mostra-se não ser o ponto principal para uma pessoa ser bem sucedida. Os sonhos de Han-Na alcançaram tamanhas proporções porque ela sempre foi linda por dentro, e muito talentosa. Já Amy... O que tinha de bonita, tinha de insuportável. Sem carisma, sem consideração com os outros e sem talento nenhum. Não demorou muito para que ela só conseguisse alcançar o fracasso. Já quanto a  Sang-Joon, acredito que ele nunca tenha gostado realmente de Han-Na. Ele a protegia simplesmente por não concordar com as crueldades que faziam com ela. Era um amor não de homem para mulher e era por isso que, desde o princípio, as coisas não poderiam dar muito certo. Mas eu aprecio bastante a maneira com que ele evolui no decorrer do enredo e provavelmente era a única pessoa que estava próxima de ver e aceitar quem Han-Na realmente era. É muito linda a relação que a protagonista tem com seu pai doente, de enxer os olhos d'água! E eu simplesmente amei o final, que não contarei por ser spoiler, mas que me provou que ela não precisa de aceitação de ninguém para ser feliz e alcançar seus sonhos.
 Han-Na e sua felicidade depois das cirurgias... Quem não ficaria feliz assim?
Enfim, 200 Pounds Beauty é bastante divertido (me arrancou risadas quase o tempo inteiro) e empolgante. Mesmo que de forma tão simples, pode também ser profundo por tratar de assuntos tão polêmicos e de grande importância. E me faz pensar que a beleza é tão relativa que uma pessoa pode ser tão bonita quanto ela acredite e queira ser.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Hakushaku to Yousei


Hakushaku to Yousei é um anime a que assisti muito recentemente. Encontrei-o por um acaso (como normalmente acontece com tudo que eu acabo fuçando e descobrindo). A primeira coisa que me chamou atenção foram os traços, que são impecáveis e muito delicados. Eu particularmente odeio mangás e animes em que todos os personagens tem traços infantilizados, rostos redondos, olhos inexpressivos e não parecem ter mais de onze anos. Nesse caso, os homens realmente parecem homens (não só na idade, mas também no gênero) e as mulheres, mesmo com rostos muito delicados, têm traços de moças e corpos de mulheres. Os cabelos são lindos e bem desenhados (tanto dos homens quanto das mulheres), o que me faz lembrar de outra coisa que me incomoda: aqueles cabelos mal feitos e espigados, além de terem cores absurdas que não combinam com o personagem nem com a realidade (não mesmo). Os protagonistas certamente me conquistaram de cara, visualmente falando. A garota é linda, jovem, com cabelos gigantescos e castanhos e olhos verdes. O rapaz, com cabelos loiros, lisos e olhos num tom violeta. Agora que a imagem já havia me agradado, e bastante, bastou dar uma lida na sinopse e ver se o livro também tinha conteúdo, e não só uma capa bonita.

 Lydia e Edgar... Essas imagens são simplesmente maravilhosas!

A história principal parece bem simples, mas à medida que avança vai se tornando cada vez mais complicada. Lydia é a protagonista, uma garota bondosa, meiga e filha de um professor. Herdou de sua falecida mãe a habilidade de ver e se comunicar com fadas (sendo chamadas de Fairy Doctors). Ela vivia na Escócia com seu gato-fada Nico (que é um personagem que merece uma atenção especial) e não tinha muitos amigos por ser vista como maluca, uma vez que as pessoas que acreditavam em fadas se tornavam cada vez mais escassas. Numa viagem para a Inglaterra Lydia acaba conhecendo Edgar, que de início não parece passar de um vilão assassino e muito abusado. Mais tarde ela descobre que ele se denomina um dos sucessores do Cavaleiro Azul, uma lenda de que esse homem teria várias terras no mundo das fadas. Em busca do reconhecimento como o Conde, ele acaba contratando Lydia para ser sua Fairy Doctor e ajudá-lo a se comunicar com as fadas e alcançar seus objetivos. 


Toda essa atmosfera do século XIX e na Europa é de tirar o fôlego!


A história é obviamente de fantasia e de romance. O romance não é repentino e forçado, como em muitos dos animes mais conhecidos. Tudo acontece de forma gradual e natural, tanto o desenrolar do romance quanto da história principal. Mesmo com tão poucos episódios (doze), somos capazes de nos apaixonar pelos personagens e qualquer um que tenha assistido desejaria uma segunda temporada.

Os dois combinam tanto!

O enredo pode se tornar confuso por abranger tantas lendas e folclore das mais diversas culturas. Criaturas mágicas como fadas, gnomos, selkies. Tudo isso é abordado e explorado na trama, que é recheada de fantasia e mitos que tem sidos deixados de lado (por não trazer histórias tão atrativas e comerciais, ou por simplesmente não serem mais consideradas verossimilhantes às pessoas), mas que são tão interessantes quanto os que estão em alta, como os vampiros e lobisomens.

Lydia, Edgar e Nico... Muito amor!

Lydia é uma protagonista adorável e fácil de se identificar. Bondosa, inteligente, teimosa e independente. Mesmo que pareça apenas uma dama indefesa (compreensível para os padrões da época, que se passa no século XIX), ela é bastante revolucionária e interessante. Edgar, como dito anteriormente, parece não passar de um vilão mulherengo. Na verdade é um cara que já passou por muitas dificuldades e que quer vingança, reconhecimento e que é capaz de utilizar qualquer meio para chegar ao fim. É bastante leal aos seus amigos, tem um grande senso de justiça e um charme inegável. Essa sua personalidade galanteadora e cheia de falhas faz com que ele transmita uma sensação de insegurança, como se ele pudesse trair a todos a qualquer momento e nunca falasse sério. Eu acho que o que faz de Edgar tão envolvente e perfeito para Lydia é justamente o fato de ele possuir tantos defeitos e contradições, distanciando-o dos heróis tradicionais, mas trazendo-o mais para os heróis da realidade.

 A atmosfera mágica está no anime inteiro!

Há outros personagens cativantes, como as fadinhas que aparecem no decorrer da história. É interessante notar como os irmãos Ermine e Raven são responsáveis e fiéis a Edgar, sendo capazes de dar a própria vida para protegê-los. Raven é moreno, olhos verdes e cara de criança, embora já seja um homem. É metade fada e sempre foi discriminado por isso, tendo sido acolhido apenas por Edgar. Não parece ser muito bom em relações sociais e em distinguir bem as coisas, e é por isso que seu caráter depende tanto do de Edgar (que é quem define tudo o que o rapaz deve fazer). Apesar de ser tão agressivo em batalha, é um rapaz bastante gentil e inocente. Sua irmã, Ermine, passa a maior parte do tempo dada como morta. Ela se torna uma selkie, uma lenda interessantíssima de seres meio humanos, meio foca, que são espíritos daquelas pessoas que morrem no mar. Os selkies, se tiverem a pele de foca roubada, tornam-se "presos" àquele que a possuir. Ela também parece vilã a princípio, mas tudo o que fazia era pensando nos amigos. É muito séria assim como Raven, mas o pouco que vemos de sua real personalidade é o suficiente para criar simpatia.

Alguns dos personagens de forma muito mais fofa!

Há também o artista Paul, que é tímido, doce e desajeitado, com cabelos castanhos e cacheados. Ele é um pintor que queria ser poeta (mas faz versos horríveis) e usa as fadas como a maior fonte de inspiração de suas obras. Acredito que ele e Lydia combinavam bastante em vários aspectos, mesmo que um romance entre eles não passasse de especulação. Há Ulysses, que é um dos vilões e subordinado do mal maior, o Príncipe. Ulysses também é um Fairy Doctor e possui o sangue do Conde cavalheiro azul, e usa seus poderes para controlar as fadas. Apesar de toda a sua maldade e arrogância, é um cara bastante gato. Por fim me restaram os meus dois personagens preferidos: Nico e Kelpie. 

Lydia, Edgar e Raven (o eterno empata foda, que chegava toda vez que os dois pensavam em fazer qualquer coisa), hahaha

Kelpie é mais uma criatura mágica em forma de cavalo e que odeia fígado. Inclusive, ele devora humanos e é temido por várias fadas e criaturas. Sua forma humana é especialmente agraciada: pele morena, cabelos negros e olhos escuros. Ele é lindo, atrevido e até um pouco rude, mas definitivamente charmoso. Faz de tudo para conquistar Lydia (até roubar a lua) e a respeita (mesmo que às vezes ela tenha que batê-lo para que ele saiba os limites). Ele sempre esteve ao lado da mocinha e quer apenas o seu bem, e aos poucos é possível perceber que o que sente por Lydia não é apenas um desejo e capricho, mas amor. Por mais que Edgar seja um encanto, Kelpie tem seus atributos. E mesmo sabendo que ele e Lydia jamais ficariam juntos, não deixei de torcer. 

Raven, Edgar, Lydia e Ermine... Não podemos esquecer de Nico, sentado elegantemente num dos degraus!

Já Nico... Nico é adorável! É uma fada na forma de um gato que conversa, anda, faz mágica e bebe uísque. Ele gosta de ser tratado como um cavalheiro, veste roupinhas e é um pouco abusado. Eu adoro o jeito que ele conversa, de forma tão elegante e quase com arrogância, deixando sua marca registrada. É bastante fiel à Lydia, prezando sempre seu bem, mas não deixando de lado a própria vaidade. Todas essas características unidas ao fato de que ele é um gato (e eu amo gatos) faz dele apaixonante. Ele é tão bem desenhado e fofo que dá vontade de estar lá para abraçá-lo!

Lydia, Edgar e Kelpie (que também se chama Caim?). Tão difícil escolher...

A única coisa que o anime deixa a desejar é o eterno defeito dos animes/mangás/doramas onde um beijo é a coisa mais rara do mundo! No caso dos mangás e animes, parece-me que eles não sabem dosar o contato físico entre os personagens, sendo alguns absurdos e vulgares, e outros com praticamente nada (nem apertos de mãos). O beijo de Lydia e Edgar foi esperado por mim todo o anime, e poderia ter acontecido várias vezes. Tudo isso faz parte do romance e não é apelativo a partir do momento em que respeita a personalidade dos personagens, é feito com delicadeza e romantismo e de forma sutil, jamais ultrapassando os limites da vulgaridade. De qualquer forma, vale muito a pena ser assistido!